07 março 2017

REVIEW | O Rouxinol, de Kristin Hannah


Título: O Rouxinol
Autor: Kristin Hannah
Editora: Bertrand
Data: 2015
Páginas: 432
ISBN: 9788580414677
Classificação Pessoal: 
Goodreads: aqui
Temáticas: Segunda Guerra Mundial


SINOPSE
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França, 1939: No pequeno vilarejo de Carriveau, Vianne Mauriac se despede do marido, que ruma para o fronte. Ela não acredita que os nazistas invadirão o país, mas logo chegam hordas de soldados em marcha, caravanas de caminhões e tanques, aviões que escurecem os céus e despejam bombas sobre inocentes.

Quando o país é tomado, um oficial das tropas de Hitler requisita a casa de Vianne, e ela e a filha são forçadas a conviver com o inimigo ou perder tudo. De repente, todos os seus movimentos passam a ser vigiados e Vianne é obrigada a fazer escolhas impossíveis, uma após a outra, e colaborar com os invasores para manter sua família viva.

Isabelle, irmã de Vianne, é uma garota contestadora que leva a vida com o furor e a paixão típicos da juventude. Enquanto milhares de parisienses fogem dos terrores da guerra, ela se apaixona por um guerrilheiro e decide se juntar à Resistência, arriscando a vida para salvar os outros e libertar seu país.

Seguindo a trajetória dessas duas grandes mulheres e revelando um lado esquecido da História, O Rouxinol é uma narrativa sensível que celebra o espírito humano e a força das mulheres que travaram batalhas diárias longe do fronte.

Separadas pelas circunstâncias, divergentes em seus ideais e distanciadas por suas experiências, as duas irmãs têm um tortuoso destino em comum: proteger aqueles que amam em meio à devastação da guerra – e talvez pagar um preço inimaginável por seus atos de heroísmo. 

Para quem gosta de leituras relacionadas com a Segunda Guerra, esta é, sem sombra de dúvidas, uma boa aposta. Um livro com uma perspectiva diferente do que aconteceu, através do olhar de mulheres que, à sua maneira, marcaram a (sua) diferença.
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A HISTÓRIA
O primeiro capítulo marca a data de 1995, o presente, com uma mulher que se encontra a sair de sua casa, com uma doença terminal. No sótão, abre um baú com diversas recordações que a fazem começar a reviver momentos distantes. O filho pergunta quem Juliette Gervase e essa questão serve de mote para um salto temporal até 1939.

Vianne e Isabelle são duas irmãs que se separam após a morte da mãe e do afastamento do pai, logo depois do seu regresso da Primeira Grande Guerra. Têm uma personalidade completamente diferente: Vianne, acabou por casar e constituir família, trabalhando como professora. Viu o seu marido Antoine ser destacado para a frente de batalha mas, vai vivendo na esperança do seu regresso. É a mais consciente do perigo e sempre se segure pelas regras. Já Isabelle, é a alma aventureira e que, desde cedo, quer marcar pela diferença naquela guerra. Não quer ficar de braços cruzados, quer fazer algo pelo seu povo.

Isabelle vai conseguir ser uma peça importante no movimento rebelde, salvando vidas. Uma mulher de coragem, vocês não imaginam os perigos por que passou e a quantidade de vezes em que arriscou a sua vida para salvar a dos outros. Vianne vai acabar também por ter um papel importante no meio rural onde vive, salvando tantas outras vidas.



A realidade da guerra é muito bem retratada. O medo espreita a cada página que se vira, com cenas fortes e momentos que nos fazem ficar com o coração pequenino. E, ao longo das páginas, vamos assistindo ao passar do tempo e dos anos e vendo o intensificar da guerra e das consequentes dificuldades que iam surgindo, dia após dia. E esse foi outro dos aspectos de que mais gostei nesta obra.

Outro ponto a favor para o romance vivido entre duas das personagens presentes na história. Um romance simples, nem sempre doce e nada lamechas. Um romance com momentos descritos e que eu podia dizer que, de facto, bem poderia ter-se passado dessa mesma forma.


AS PERSONAGENS
Isabelle cativou a minha simpatia desde as primeiras páginas. O temperamento rebelde e a forma corajosa com que desafiava as regras e a autoridade fizeram-me, muitas vezes, sorrir. Mas Vianne acabou por demonstrar a sua força mais para o final do livro e isso também me fez nutrir um carinho especial pela mesma.

Há mais personagens femininas importantes para além destas duas. Mulheres que foram cruciais no movimento rebelde, mulheres judias que foram obrigadas a deixar os seus empregos e a partir em carros de transporte de gado para os campos de concentração, mulheres que viram partir os seus maridos para a guerra que os roubava das suas vidas e tantas outras mulheres sem nome que ajudam a caracterizar aquele ambiente de opressão e de fome, de sofrimento e de medo.

As personagens são ricas e muito fortes, muito bem retratadas. Um trabalho muito bem feito.



A ESCRITA
É fantástica. Simples e cativante, sem floreados, sem trazer episódios desnecessários ao desenrolar da narrativa. Diálogos bem estruturados e concisos; capítulos mais curtos, intercalados com alguns mais longos.


A MINHA OPINIÃO
São 500 páginas mas aposto que nem dão pelo passar do tempo!

Um livro que trouxe algo de novo depois de tanta coisa que eu já li sobre o tema; o que é, fantástico! Muito bem escrito e estruturado, notando-se uma boa pesquisa por parte da autora.


Acho que não me engano ao afirmar que será uma história que vai agradar a praticamente toda a gente.

Cinco estrelas!




1 comentário:

  1. Linda como sempre a sua resenha. Deixou-me interessada, logo que possa compro! bJ

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