19 agosto 2016

REVIEW | The Dare, de John Boyne



Título Original: The Dare
Autor: John Boyne
Editora: Black Swan
Data: 2009
Páginas: 103
ISBN9780552775298
Classificação Pessoal: 
Goodreadsaqui

Decidi comprar este livro a propósito da Maratona Fusão, da qual já falei aqui, uma vez que um dos desafios seria ler um livro com menos de 200 páginas. Não é que eu não tivesse nenhum livro com menos de 200 páginas na estante (cof cof, tenho e muitos... por ler!) mas sempre quis ler algo deste autor e como ando a adiar a leitura de O Rapaz do Pijama às Riscas, pensei: por que não este pequerrucho que só custa 2,50€ no amazon? :) 




Uma vez que já tomaram conhecimento das minhas altas expectativas em relação a este livrinho, vamos passar à história. Ora muito bem, nestas páginas vamos conhecer um menino de 12 anos ~ o Danny ~ que está prestes a começar as suas férias de verão e está ansioso por uns meses calmos e de descanso.

Numa dessas tardes, a mãe chega a casa, completamente transtornada e acompanha por dois polícias. Está em estado de choque e mal consegue falar. Do cimo das escadas, ele ouve o polícia a contar ao pai que algo aconteceu e que um menino foi para o hospital em coma e que a mãe de Danny está em estado de choque. O estado do menino é bastante crítico e não sabem sequer se ele voltará a acordar.

A mãe de Danny não consegue superar o que viu e acaba por se fechar em si própria e se afastar de toda a família, pelo que o grande objectivo da nossa personagem principal será descobrir o que realmente aconteceu.


Trata-se de uma história simples e muito curtinha e confesso que estava à espera de algo mais empolgante. No entanto, é uma narrativa singela cujo valor se centra essencialmente nos sentimentos e no facto de um simples acontecimento poder gerar uma reviravolta na vida de uma família.


No que respeita às personagens, gostei muito do Danny, um menino como tantos outros da sua idade, construído com fraquezas e forças, com dúvidas e com medos. Ah, e com algo muito especial: o Danny gosta muito de ler e a leitura que estava a fazer era o David Copperfield, de Charles Dickens, um livro que tenho há muito na minha estante e que tenciono ler um dia.


E não há assim muito mais que vos possa contar sobre esta leitura. A história é tão curtinha que não vos quero estragar a surpresa de nada. 


Recomendo para quem gosta do autor e quer ler algo rápido e muito leve. É óptimo para quem está a começar a ler em inglês!! Não foi uma história que me fascinou e me marcou muito, mas fez-me uma boa companhia durante umas horinhas.

17 agosto 2016

REVIEW | Clube de Combate, Chuck Palahniuk


Título Original: Clube de Combate
Autor: Chuck Palahniuk
Editora: Marcador
Data: 2016
Páginas: 248
ISBN9789897541667
Classificação Pessoal: 
Goodreadsaqui


Primeiro pensamento quando me sento ao computador para escrever esta opinião:

Estou tramada. Como é que vou falar dum livro deste calibre??


Foi com enorme alegria que descobri que a Marcador (editora parceira aqui do blogue) ia editar esta obra, este ano, em Portugal. A verdade é que o livro já fora anteriormente publicado, no entanto, encontrava-se esgotado há séculos e era impossível encontrar um exemplar disponível para compra. Por isso, fiquei super contente quando a Marcador me enviou uma cópia para opinião. Obrigada <3

Vamos primeiro à sinopse, disponível no site da editora:


Antes demais, deixem-me dizer-vos que eu já tinha visto o filme, do David Fincher, baseado nesta obra. No entanto, é uma história tão macabra, tão bem construída, que senti logo curiosidade para ler o livro.

Então, nesta obra temos a história do nosso narrador que sofre de insónias e que trabalha numa companhia de seguros.  ~ E sim, não conhecemos o nome desta personagem, do início ao fim! ~ Depois de ir ao médico para tentar resolver a questão da dificuldade em dormir, o médico recusa-se a receitar-lhe comprimidos e sugere que visite um grupo em que diversas pessoas com cancro ou outras doenças mais graves, falem da sua experiência. 


O certo é que estas sessões começam a resultar e ele rapidamente começa a procurar outros grupos, onde se faz passar por um doente diferente. É num desses grupos que ele conhece Marla, uma mulher que também vai ser essencial no desenrolar da história.

Numa das suas viagens de negócios, o narrador vai sentar-se ao lado de Tyler e começam a conversar. Mais tarde, ao regressar a casa e verificar que o apartamento tinha sofrido uma explosão, ele recorre a Tyler e encontra-se com o mesmo num bar, ao que este o convida para ficar alguns dias em sua casa. Já fora do bar, Tyler pede ao narrador que lhe dê um soco com toda a sua força e este obedece-lhe. É uma das partes de que mais gostei no livro. As lutas começam a partir daí e rapidamente passam para uma cave e a atrair mais pessoas. 



E é assim que nasce o Fight Club. E isto é apenas o começo, o livro e toda a ideologia que o envolve, vai muito para além destas simples linhas que escrevi. Um homem comum a tantos outros, que tentou fazer tudo para corresponder à imagem que os seus pais e toda uma sociedade tinham para si, sem o conseguir. 

O facto de nunca atingir essa superação, vai fazer com que se sinta infeliz, deslocado do seu mundo e completamente perdido. Mas Tyler é tudo aquilo que falta ao nosso narrador e será crucial no percurso que este agora inicia, será como uma espécie de mentor.


Podem esperar um livro com uma linguagem crua, directa e com palavrões. Não há nada que seja dito de forma suave, há violência e ironia em abundância. A forma como grande parte da história é escrita também é bastante peculiar: os pensamentos fluem e ora estamos a ler sobre isto, como de seguida o narrador se lembra de outra coisa e engata no fio de pensamento. Mas isso é bastante realista, não acham? Quantas vezes é que isso nos acontece no quotidiano? A mim, algumas :)


E as personagens? Nem vou falar da construção das personagens e vocês, se lerem, perceberão a razão. Sólidas e bem construídas, congruentes com essa caracterização do início ao fim do livro.



Gostei da parte do negócio do narrador e do Tyler, fantástico! e que não é nada mais, nada menos do que "grandes sacos vermelhos de gordura de lipoaspiração, que vamos levar para a Paper Street e derreter, misturar com soda cáustica e alfazema, e vender às mesmas pessoas que pagaram para que lhes sugassem aquela gordura" (pág. 165).  Muito bom mesmo!



Olhem a quantidade de marcações que fiz!!!

E eu queria dizer-vos muitas mais coisas sobre esta obra, mas não consigo. Demorei semanas para escrever estas linhas e sinto que não fazem jus à dimensão da mesma e ao quanto ela me fez reflectir sobre determinadas coisas da vida. Não é um livro qualquer, é um livro para a vida, sem sombra de dúvidas, e que vou querer reler uma e outra vez.

Não só vos recomendo como vos digo que vos vai marcar, como leitores e como pessoas, para sempre. Tenho a certeza que não se arrependerão!

13 agosto 2016

DESAFIOS LITERÁRIOS | #MaratonaFusão


E eis que quase uma semaninha depois, venho falar-vos de como correu a minha participação na Maratona Fusão, promovida pela Cláudia ~ A mulher que ama livros ~ e da Daniela ~ DeLivros ~.

Já tinha feito um post rapidinho na página do facebook (aqui) a explicar como funcionava este desafio e quais seriam as minhas escolhas. 


Como já seria de esperar, acabei por fazer algumas modificações de última hora. No desafio de ler um livro com menos de 200 páginas, acabei por optar pelo "The Dare", de John Boyne, já que andava super curiosa com este senhor e nunca tinha lido nada por ele escrito. 


O certo é que acabei por terminar três livrinhos. Nada mau :) Tinha definido um livro diferente para cada categoria (embora se pudesse repetir livros) e acabei por não ler os cinco a que me tinha proposto ~ fiquei doente e tive que fazer uma viagem grande.

Muito bem. Vamos, então, a contas:


De "O Menino de Cabul", li 235 páginas. Favoritei com 5 lindas estrelinhas. Que história!


Do livro do John Boyne, "The Dare", li as 103 páginas. Dei 3 estrelas, gostei mas não achei nada por aí além.


Do livro "My life next door", completei as 453 páginas. Confesso que não morri de amores, dei 3 estrelas.

Conclusão: No que respeita às leituras, poderia ter completado os desafios todos com estes três livros lidos:
- O menino de Cabul (está na estante há mais de um ano e foi-me recomendado por várias pessoas)
- My life next door (é um livro de um autor novo e foi escrito por uma mulher... sim, Huntley é nome de senhora!)
- The Dare (é um livro com menos de 200 páginas)

Li o que consegui, sem pressões, num total de 791 páginas. A nível de leituras, um dos livros foi fantástico e os outros dois nada de especial. É pena...

Como já seria de esperar (e por isso é que adoro participar em iniciativas deste género) o convívio com as restantes meninas foi top! Deu para tagarelar e tagarelar à vontade, o que sabe sempre bem :)


Já ando a preparar as fotos e as opiniões aqui para o blogue. Por isso, aguardem coisinhas fresquinhas nos próximos dias.

12 agosto 2016

REVIEW | A Cor Púrpura, de Alice Walker


Título Original: A Cor Púrpura 
Autor: Alice Walker
Editora: Círculo de Leitores
Data: 1ª ed: 1982, a minha edição 1986
Páginas: 211
Classificação Pessoal:
Goodreadsaqui
Temas: amor, ódio, poder, desigualdade de género e de etnias, racismo, opressão, sexualidade, religião.

Já tinha este livro na minha wishlist há algum tempo e foi com enorme alegria que o descobri, num alfarrabista, a 2,50 euros. Uau, que pechincha por um livro tão bom!

Vamos então à sinopse desta obra:

{ Através das cartas que escrevem uma à outra, duas irmãs negras americanas falam das suas vivências pessoais, dos seus dramas, mas também das suas alegrias, na época que separou as duas guerras mundiais.

Obra vigorosa - que levou alguns críticos a comparar Alice Walker com Faulkner - este romance valeu à autora, negra também ela, os dois prémios máximos da literatura norte-americana de ficção em 1983: o Pulitzer e o American Book Award.
E deste romance fez Steven Spielberg um filme admirável. }

Este romance epistolar ~ com cartas dirigidas, inicialmente, a Deus e depois à irmã da protagonista ~, traz-nos a história de Celie, uma menina negra de 14 anos, que vive no sul dos Estados Unidos, na primeira metade do século XX. Trata-se de uma menina praticamente analfabeta que acaba por ser abusada, quer física quer psicologicamente, por uma pessoa que lhe é próxima.


Fruto dos abusos sofridos, Celie acaba por ter dois filhos, dos quais se vê obrigada a separar, para garantir que continuem em segurança. É na irmã Nettie que acaba por encontrar o seu apoio. Cuida dela e protege-a com todas as suas forças, procurando mantê-la afastada de todos os maus tratos que ela mesma já sofre. Celie vê-se obrigada a casar com um homem muito mais velho, o Sr. ________ e, por circunstâncias da vida, separa-se da irmã, perdendo-lhe o rasto.

Mais tarde, na casa do Sr. _______, vai conhecer alguém que vai abanar por completo a sua vida, que a vai "fazer acordar" e descobrir facetas até então escondidas. É Shug Avery, uma conhecida cantora de blues,  que vai fazer com que Celie desperte para a vida.


E digo-vos, é impossível ficar indiferente a esta amizade que se vai estabelecer entre as duas e ao carinho que as une. Na minha opinião, Shug Avery é a verdadeira responsável pela salvação de Celie, pelo crescimento da mesma enquanto pessoa e mulher.


Mas o livro é muito mais do que isso... é um apelo à reflexão do leitor a temas tão importantes como a religião, as desigualdades sociais e de género, à sexualidade, ao amor e ao ódio, ao poder, .... A cada página há uma crítica, uma denúncia, uma esperança e um ensinamento da força da personagem principal. É tocante e, se forem como eu, vão sentir-se pequeninos com os vossos problemas...

Como seria de esperar num livro desta envergadura, as personagens são todas muito bem construídas, dotadas de densidade psicológica, ajudando-nos a compreender o tempo e o espaço em que se inserem. Longe de serem meras marionetas, são elas que nos ajudam a conhecer Celie e a mulher negra da altura.


Algumas das personagens femininas, como a Nettie e a Sofia, mostram-nos que no meio de tanta injustiça e dor, ainda há mulheres que lutam por aquilo em que acreditam e que julgam estar certo, que são guerreiras e são elas que vão ajudando Celie a tomar consciência de tudo isso e a ter orgulho em si mesma. A mudança é lenta, é verdade, mas efectiva. Celie encontra um novo rumo na sua vida, o que revela uma grande vitória para a época em que a história foi escrita. Coragem e superação são duas palavras que vão começar a definir a nossa personagem.


No que respeita à linguagem, confesso que tive alguns problemas iniciais com esta obra. No início do livro, e como a personagem é analfabeta, a linguagem por ela utilizada é mais rústica e simples, com imensas expressões orais, erros gramaticais e alguns regionalismos, característicos da zona agrária dos EUA. No entanto, pensando bem, não poderia ser de outra forma!! Não se deixem intimidar porque mais para a frente, na história, estes aspectos acabam por se atenuar. Depois vão perceber a razão.



Como seria de esperar, a crítica mordaz e assertiva está presente do início ao fim do livro. Sem rodeios nem meias palavras, é tao forte e (ainda) tão actual ~ em determinados aspectos ~, nos dias de hoje.


Dá para perceber que este livro está mais do que recomendado, certo? Leiam!

06 agosto 2016

REVIEW | Bone, out from Boneville


Título Original: Bone, out from Boneville
Autor: Jeff Smith
Editora: Scholastic
Data: 2005
Páginas: 138
ISBN9780439706407
Classificação Pessoal: 
Goodreadsaqui

Esta semana apeteceu-me ler algo mais levezinho. Por isso, nada melhor que uma graphic novel que, logo pela capa, promete uma história de descoberta com alguns perigos à mistura (ou não tivéssemos ali o Bone, de mochila às costas, com um mapa e uns olhinhos de monstro aterradores, ali escondidos).

Este livro traz-nos a história de Fone Bone e dos seus dois primos Phoney Bone and Smiley Bone que são obrigados a sair de Boneville (se lerem, vão descobrir a razão!) e se perdem a meio do caminho, ficando os três completamente sozinhos num sítio totalmente desconhecido. 

Cada um, à sua maneira, acaba por descobrir o caminho para uma floresta bastante peculiar que encerra mistério e criaturas bastante diferentes do seu mundo.

À medida que a história avança, vamos conhecendo um pouco mais sobre as personagens. No entanto, o final do livro chega sem que nos apercebamos da razão que os levou naquela demanda e o que realmente procuram. Bem, lá teremos nós que procurar o segundo volume para saber...

A história é recheada de bom humor e situações caricatas, que nos fazem passar bons bocados. Gostei bastante do Phoney Bone, que tanto me fez lembrar o avarento do Tio Patinhas :)

E o melhor de tudo? A arte! Uau, que traço tão fofinho! Gostei muito!

É uma leitura saborosa e rápida que aconselho a qualquer amante do género. Quanto a mim, quero comprar o segundo volume em breve :)