26 fevereiro 2016

REVIEW | A Seleção, de Kiera Cass



Título Original: A Seleção
Autor: Kiera Cass
Editora: Marcador
Data: 2012
Páginas: 368
ISBN9788565765015
Classificação Pessoal:
Goodreadsaqui

Já vos aconteceu não darem nada por um livro ~ influenciados talvez pela capa do mesmo e pela ideia errada da intriga ~ mas acabarem por lê-lo e ficarem super surpreendidos? Pois, foi exactamente isso que aconteceu com A Seleção.

Este foi o primeiro livro que recebi da parceria com a editora Marcador e, desde já, gostaria de agradecer a oportunidade de leitura à mesma. 


Acho que já toda a gente conhece ~ ou pelo menos, ouviu falar, em traços gerais ~ da intriga desta série. Kiera Cass conta-nos a história das personagens de Illéa, uma sociedade surgida após a 4ª Guerra Mundial. Illéa é um país que surge após a queda dos EUA, nesse mesmo local, sendo agora governada por uma monarquia.

Esta sociedade distópica é composta por castas, sendo que, cada uma, tem um ofício específico. A 1ª casta corresponde à família real e a casta número oito, aos mendigos e filhos bastardos (sim, só se pode ter filhos após o casamento). Pelo meio, temos castas de cientistas, professores, artistas (a casta da América) e de trabalhadores servis, por exemplo.


O príncipe está quase a completar 16 anos e está na altura de começar o processo de selecção da nova princesa. Como já podem adivinhar, esta princesa é escolhida de entre os 35 distritos que compõem as castas inferiores à 1ª. É um evento muito esperado pois é oportunidade de as concorrentes trazerem um dinheiro extra para as suas famílias, que passam por algumas dificuldades, e a possibilidade de subirem de casta, uma vez que, findo o processo, retomam a uma casta superior à sua. 

Como seria de esperar, a única possibilidade de subida de casta é resultante de um casamento com alguém de uma casta superior. É totalmente desaconselhada uma união com alguém de uma casta inferior.


América, a nossa personagem principal, mantém um romance escondido com Aspen, que pertence à casta 6 e é este que, juntamente com a família daquela, acabam quase que por "obrigar" a América a concorrer ao processo de selecção. Toda a gente acredita que aquela é uma oportunidade imperdível.

O certo é que ela acaba por ser escolhida e viaja para o palácio, juntamente com mais 34 candidatas. A partir daqui, o processo é acompanhado quase como se fosse um Big Brother.

Conseguem imaginar 34 mulheres à luta pelo mesmo? E digo 34 porque a América acaba por confessar ao príncipe que não está minimamente interessada em conseguir o título, apenas pretende ficar mais uns tempos, não só pelo dinheiro que consegue fazer chegar à família, mas também para ficar um tempo distante de algumas pessoas que, no presente, só lhe trariam sofrimento. E acaba por crescer uma amizade e cumplicidade entre ambos e ela promete ajudá-lo a conhecer o outro lado daquelas candidatas. No fundo, o livro vai relatar esta aproximação gradual entre ambos, e o reconhecimento, por parte da América, de que o principe não é, afinal de contas, tão arrogante e insensível, como o pintavam lá fora.


Na minha opinião, esta aproximação entre as duas personages é bem construída, parece ~ como é que vos posso explicar... ~ fluída, uma vez que é apresentada através de acontecimentos e acções indirectas que nos vão auxiliando no processo de conhecimento do carácter das mesmas. Nem tudo é dado ao leitor de forma directa, há muita coisa que nos chega através de conversas e atitudes, de escolhas e gestos, que nos faz reflectir e não simplesmente ler o que nos é dado. E acho que este foi o motivo que me fez compreender algumas atitudes e indecisões da América e que salvou esta obra de cair num mero romance mi mi mi.

A personagem principal é dotada de humor, é natural nas suas atitudes e reage como a maior parte de nós reagiria numa situação similar. Em resumo, é bastante verosímil. No entanto, cai um pouco no cliché da Katniss, do The Hunger Games (Jogos da Fome). Desculpem... era inevitável: menina defensora dos oprimidos, que luta para terminar com as injustiças, que não esquece as suas origens e trata os que estão ao seu serviço com igualdade. O que me leva a questionar: estas personagens nunca falham? Nunca cometem algo que vá contra os seus princípios e do qual se arrependam?


Apesar de tudo, gostei da sociedade apresentada. Pena minha que não tivesse sido mais explorada e acho que é uma falha que se irá manter nos restantes volumes da série. Acredito, no entanto, que o ponto crucial da autora fossem as personagens em si e não o mundo distópico. Por essa razão, as novelas lançadas (das quais já li "A Rainha" e "O Príncipe"), nos continuam a dar a conhecer as personagens e não o mundo envolvente

Se bem me conhecem, eu não sou muito de romances. É verdade. Então por que razão este livro me surpreendeu pela positiva, quando toda a gente o apresenta como sendo um "bom romance"? Acho que nem eu própria consigo responder bem a esta questão. No entanto, tenho que reconhecer que, de certa forma, se deve ao facto de eu me ter sentido uma leitora activa, ou seja, também eu fui construindo a história a partir daquelas acções e atitudes. Nem tudo foi dado de forma certa e garantida, não foi uma simples romance do "agora não te quero", "agora quero", as personagens não eram assim tontinhas. São personagens com as quais eu me conseguia identificar em diversos momentos, personagens que foram crescendo, que tinham atitude e densidade.


E mais para o fim há assim um acontecimento que vem apimentar as coisas :) Escusado será dizer que estou mortinha por ler A Elite, não é?

Aconselho esta leitura. Não se deixem enganar pela capa :)


6 comentários:

  1. Mais um para juntar á minha lista ahahahah

    http://gossipmagazine2000.blogspot.pt/

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    1. Oh que bom :) quer dizer que convenci? :P
      Depois quero ver essa opinião :) beijinhos**

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  2. Olá! :)

    Já vi esse livro inúmeras vezes e nunca me cativou...
    Tenho sempre a ideia de ser muito, muito, muito YA... não?
    A tua resenha é optimista!

    Beijinho

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    1. Oh pah eu tinha essa ideia.. junto com o facto de parecer muito para o romance, muito mi mi mi. mas afinal, acabei por gostar bastante!! :) dá uma oportunidade :) beijocas

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  3. Eu já tinha também ouvido falar desta série, mas parecia ser muito copy cat do Hunger Games para merecer a leitura, mas pela tua discrição acho que tenho de lhe dar uma hipotese :-). Lá vai mais um livro para a TBR

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    1. Sabes que agora todos os livros com esta temática vão ter sempre reminiscências da cat do Hunger Games.. há sempre qualquer coisinha que nos faz lembrar aquela personagem. Mas olha, este era um livro para o qual eu não dava quase nada e acabei por gostar.. talvez também gostes ;)

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