31 dezembro 2015

REVIEW | "A Christmas Memory", de Truman Capote & "Um presente Inesperado", de Carina Rosa

Este Natal foi a altura ideal para ler alguns contos. Histórias curtinhas para intercalar entre um leitura e outra.

Um dos meus objectivos deste ano que está a terminar era o de ler mais contos. Tal como muitos dos meus outros desafios, foi adiado e adiado e acabou por não conhecer grande concretização. Para falar verdade, só em Outubro tive a oportunidade de ler alguns contos.

Neste mês de Dezembro aproveitei então para passar algumas destas leituras para a pilha dos lidos de 2015.

O primeiro conto que li foi de uma escritora portuguesa, Carina Rosa, de quem já muito tinha ouvido falar mas que me era totalmente desconhecida. O conto está disponível para download gratuito no site do smashwords.


Não me vou alongar muito na opinião destes contos porque eles são tão pequeninos que não vos quero estragar o deleite da leitura e a vossa curiosidade.

Para começar, queria dizer-vos que fiquei agradavelmente surpreendida com a personagem principal do livro da Carina. Achei super original e sacou-me logo um sorriso da cara nas primeiras linhas. Logo depois, o facto de a história se passar em Fafe, uma terra que gosto muito, arrancou-me o segundo.

Aqui podemos, então, conhecer a história da nossa personagem principal, o Simão, que se vê obrigado a ficar fechado em casa, enquanto a restante família se encontra lá fora a brincar na neve, no dia de Natal. Por estar fechado contra a sua vontade, tudo o irrita: luzinhas e árvore de Natal, cânticos, bolas de neve, ... Então decidi vingar-se daqueles que o deixaram ali sozinhos e que se encontram a divertir lá fora.

Depois de algumas peripécias mais engraçadas, cai em si e percebe que, se calhar, o motivo pelo qual se encontra ali não é mais do que fruto de uma grande preocupação pela sua saúde. E eis que a noite não termina sem um "presente inesperado"...

É uma história ternurenta, com um início triste, que nos deixa o coração apertadinho quando pensamos na solidão e no abandono que envolve tantas pessoas, nesta altura do ano ~ e não só! ~. Mas é também uma história que nos fala de perdão e compreensão, de nos vermos no lugar do outro.

Dei 3 estrelas porque acho que queria mais, porque não queria que fosse tão rápido. Mas adorei a escrita da Carina e quero muito ler outros trabalhos dela. Aconselho muito a leitura deste conto. 

E a Carina merece todo o nosso apoio. É a primeira escritora que vejo que interage com os seus leitores no goodreads, que lê o que nós escrevemos sobre a leitura e que se preocupa em conhecer a nossa perspectiva. Dou 5 estrelas à Carina Rosa :)



Outro conto que li foi o "A Christmas Memory", de Truman Capote. E que conto belíssimo!

Aqui a personagem principal é um menino de sete anos que tem uma amizade bastante especial e enternecedora com uma prima de sessenta e tal anos. São os melhores amigos um do outro, tal como nos conta.

A história começa com a descrição da cozinha e com um grito informando que é a altura de fazerem bolo de frutas! E aqui começa a aventura que passa pela recolha das frutas e o processo de aquisição os ingredientes necessários à confecção do mesmo, assim como o próprio processo na cozinha. As descrições são fantásticas, cheias de sabores e cheiros deliciosos.


Há também a decoração de Natal com a procura do pinheiro perfeito:


E, como não podia deixar de ser, a troca de presentes. Presentes pensados e criados a pensar na pessoa a quem vamos oferecer, porque o dinheiro não abunda naquela casa.

Mas este é o último Natal que passam juntos. A distância vai depois intrometer-se entre aqueles dois amigos que, no entanto, não se esquecem e continuam a falar por cartas. No entanto, o tempo passa e a idade começa a pesar e as memórias a confundir-se...


É uma história ternurenta, muito bem escrita e que nos toca o coração. Amei este conto, não só pelos sentimentos que trouxe com as palavras mas pelo facto de abarcar um espaço de tempo muito maior. Acho que gosto mais de contos que não se passam apenas em 24 horas, mas que encerram em si anos de história já que, na minha opinião, ajuda a equilibrar o curto número de páginas.


Podem obter mais informações sobre esta obra nesta página do goodreads. Um livro ao qual dei 4 estrelinhas.

25 dezembro 2015

Review | Just Breath, de Sílvia Pais


Título Original: Just Breath
Autor: Sílvia Rodrigues Pais
Editora: Chiado Editora
Data: 2015
Páginas: 638
ISBN9789895144037
Classificação Pessoal: 3 estrelas 
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Assuntos abordados: Amor, adolescência, conflitos interiores


Emily Miller, uma rapariga doce, deixa família e amigos em Los Angeles e vai estudar para a Universidade de Yale. Conhece Liam Price, o típico bad boy dos tempos modernos, que vira a sua vida do avesso, obrigando-a a enfrentar os seus medos e a desenterrar fantasmas do passado.

Nova cidade, novos amigos, novas aventuras e novos amores se avizinham. Esta é uma história de luta contra demónios, de conflitos interiores, de vinganças, vitórias e derrotas. Conseguirá Emily finalmente ser feliz?



Foi com grande entusiasmo que aceitei o convite da autora para ler o seu primeiro livro, em troca de um parecer sincero no meu blogue/canal. Entretanto, com a parceria estabelecida com a Chiada Editora, acabei por pedir este livro, de forma a poder terminar a leitura e poder tê-lo na minha estante.


A sinopse agradou-me e, como já sabem, eu sou sempre a favor da leitura de novos escritores nacionais, pelo que não podia deixar passar esta sugestão de leitura em branco.

A nossa protagonista é uma menina que vai agora entrar para a Universidade, em Yale e, como podem imaginar, esta mudança traz também novas amizades e um mundo inteiro de coisas e experiências novas, fresquinhas, para um adolescente que se vê, pela primeira vez, longe da casa dos pais.

Não vou mentir, esta é uma história um tanto ou quanto ~ cliché ~. Não é a primeira vez que vemos uma menina bonitinha apaixonada pelo rapaz mauzão, que tem as miúdas todas que quer mas que se vai apaixonar perdidamente por aquele ar doce e gentil da menina que não falta às aulas e que teve um passado difícil. Emily é, no entanto, uma lufada de ar fresco neste cliché: apesar de meiga e responsável, gosta de se divertir e sair, é inteligente e consegue manter conversas com os colegas, é adulta <a vida assim a obrigou> e, apesar da historiazinha de paixão, consegue não ser lamechas e reconhecer que as miúdas que andam loucamente atrás do Liam,  não têm qualquer tipo de amor próprio.


E depressa nos apercebemos que a protagonista vive um drama interior qualquer, que lhe traz pesadelos todas as noites e a afasta de todos os relacionamentos, com medo de que a outra pessoa não compreenda o que aconteceu com ela e a deixe. Ok, tenho que confessar que livros com este tipo de mistérios me capta sempre a atenção e dou por mim a ler e a ler, só para saber que raio de segredo seria aquele.

Este não foi diferente. Não sou muito de histórias do gato e do rato, já li tanta coisa assim que me começa a chatear. Mas o facto de a Emily ter um segredo, fez com que continuasse sempre até ao capítulo seguinte e por aí em diante.


É claro que só conhecemos esse segredo já a poucas páginas do livro terminar. E sim, já me tinha passado pela cabeça ser aquele o demónio daquela menina. No entanto, como as personagens se envolveram, julguei que o caso fosse diferente e que estivéssemos perante algo de uma dimensão muito maior. Mas não, o segredo era aquele que inicialmente projectara e, para ser sincera, desiludiu-me um pouco. Na minha cabeça de leitora não fazia qualquer sentido que ela esperasse aquela reacção por parte do Liam e achei que 'a coisa' seria um pouco forçada. 

Também poderá ter sido pelo facto de, no meio de tantos livros que lemos, começamos a precisar que a leitura não só nos absorva mas que também nos surpreenda e acabamos por nos sentirmos desiludidos quando isso não acontece.














Mas há coisas boas aqui pelo meio!

Depois de desvendado o segredo, há um caminhar para o desfecho que eu não estava a contar, ou seja, um desenrolar de peripécias que me fez esbugalhar os olhos e ganhar um novo alento para as últimas páginas. E gostei dessa parte porque, de certa forma, me prendeu como leitora. O final fica em aberto e da-nos um piscar de olhos sobre o futuro daqueles dois. E aquilo promete!

Gostava também de referir que adorei a escrita da autora. Acho que foi um dos aspectos mais importantes deste livro. É super fluída e muito terra-a-terra, ou seja, facilmente se poderiam identificar a ter esta ou aquela conversa com um dos vossos amigos ou passar por esta ou aquela situação. E gosto muito disso.


Outro ponto a favor é o facto de termos, em diversos capítulos, a perspectiva da Emily e do Liam. É sempre bom sabermos o que vai na cabeça ~ e no coração ~ da outra pessoa.

E já vos disse o quanto adoro esta capa? Acho-a tão bonita!


No que respeita à edição do livro, adoro a capa, como já disse. O papel é amarelo e ligeiramente rugoso ~ ai, adoro! ~ mas com um tipo de letra um pouco maior do que o habitual, o que gera um maior número de páginas, no volume final da obra (tem 635 páginas!!). E esta parte já não foi tanto do meu agrado. Penso que um tipo de letra menor seria mais "confortável" à leitura. Não gosto mesmo de ver tanto papel em branco...


A Sílvia está de parabéns pelo seu trabalho. Acabei por dar três estrelas e não quatro pelas razões que vos apresentei nesta review. No entanto, é um livro que aconselho para quem gosta deste tipo de histórias - que não é bem, bem a minha praia - e que vale muito a pena pelo trabalho de escrita.

E sim, quero ler uma continuação e dar-lhe quatro estrelas.

17 dezembro 2015

REVIEW | Fortunately, the milk; de Neil Gaiman




Título Original: Fortunately, the milk
Autor: Neil Gaiman
Editora: Bloomsbury
Data: 2013
Páginas: 160
ISBN9781408841761
Classificação Pessoal: 
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Acabei de ler este livro há alguns minutos e não queria deixar de vir aqui partilhar convosco a minha opinião. E o curioso é que ele acabou de chegar hoje de manhã, na minha encomenda do awesome books!

Este livro é lindíssimo! Não só nas ilustrações mas na própria história.

You know what it’s like when your mum goes away on a business trip and Dad’s in charge. She leaves a really, really long list of what he’s got to do. And the most important thing is DON’T FORGET TO GET THE MILK. Unfortunately, Dad forgets. So the next morning, before breakfast, he has to go to the corner shop, and this is the story of why it takes him a very, very long time to get back.

Featuring: Professor Steg (a time-travelling dinosaur), some green globby things, the Queen of the Pirates, the famed jewel that is the Eye of Splod, some wumpires, and a perfectly normal but very important carton of milk.


Então esta é a história de dois irmãos, sendo o menino o narrador da nossa história, que ficam em casa com o pai, depois de a mãe ter saído para uma viagem de negócios. Quando as crianças vão tomar o pequeno almoço no dia seguinte, não há leite para os cereais e - horror dos horrores - para o chá do pai.

É então que ele decide ir à mercearia da esquina para comprar uma embalagem. As crianças ficam à espera que o pai regresse. E esperam, e esperam... e esperam.


Até que ele chega e elas o questionam relativamente à razão de tanta demora e o pai inicia uma história (acrescento eu) mirabolante, onde não faltam piratas, wumpires, uma polícia intergaláctica, um deus da selva, piranhas e aliens.



O mais engraçado de tudo isto? É que eu imaginei o Gaiman a contar mesmo esta história aos filhos, com as suas perguntas preparadas para questionar e desconstruir tudo aquilo que ele lhes narrava e a veracidade da mesma. E sim, soltei algumas gargalhadas com algumas das situações mencionadas e alguns dos comentários das duas crianças.

E adorei a conclusão a que as crianças chegaram no fim e a observação que fazem.



Recomendo se quiserem uma leitura levezinha e meia crazy. Lembrem-se que é uma narrativa infantil!



Ah! E muito importante :) Este é o meu primeiro post para o...


10 dezembro 2015

LIFE | Prendinhas de Aniversário


Já venho um pouco tarde, mas não queria deixar de vos mostrar as prendas fofinhas que recebi no meu aniversário.

Deliciem-se com as minhas fotos!


~ A Cata, a Jojo e a Neuza ofereceram-me um kit de Game of Thrones: livro, funko, caneca e porta chaves. É caso para dizer: I'm ready for the winter! ~




~ Dois dos meus amigos ofereceram-me essenciais à vida: m&m's, meias super fofas e quentinhas e uma capa nova para o meu kobo! ~



E como não podia deixar de ser ~ e de faltar! ~ prendas de mim... para mim! E o que poderia ser? Livros! E estes vieram directamente do Brasil...





Então, o que me dizem destas prendas?

01 dezembro 2015

Projectos e outras coisas...

Bem, estes últimos dias foram cheios de novidades para mim. Algumas delas, bastante boas!

Em primeiro lugar, quero comunicar-vos que o blogue e o canal acabam de fazer parceria com a Chiado Editora e a Marcador. Duas editoras que gosto muito e que têm publicações que me despertam o maior interesse. Imaginem como me senti!



E como já cheira a Natal, e hoje é o primeiro dia de Dezembro, quero também contar-vos que... fui convidada para integrar o projecto Rudclaus, com a Cata (canal do Páginas Encadernadas), a Neuza (do blogue e canal Mil Folhas) e a Jojo (blogue e canal Os Devaneios da Jojo).


Se bem se lembram do projecto no ano anterior, estas três meninas prendadas, realizavam vídeos com opiniões de livros natalícios, sugestões de prendas de natal, receitas, DIY, ... Este ano prometemos isso e... muito mais!

E estou lá euuuuuu!


E não que é que dias depois elas também me convidam a fazer parte do KidsRus? Se não conhecem esta preciosidade, confiram aqui o post da Neuza. Por isso, agora contem também com vídeos e posts sobre livros infantis/jovens.



E pronto, fiz anos a 29 de Novembro e foi Black Friday e tenho mais aquisições para a estante. Mas isso são conversas para outros posts...

24 novembro 2015

Review | Sono, de Haruki Murakami


Título Original: Sono
Autor: Haruki Murakami
Editora: Leya - Casa das Letras
Data: 2013
Páginas: 96
ISBN9789724622033
Classificação Pessoal:
Goodreads: aqui
Assuntos abordados: Rotina, o ciclo da vida e a descoberta de si mesmo

«Há dezassete dias que não durmo.» Assim tem início a história que Haruki Murakami imaginou e escreveu sobre uma mulher que, certo dia, deixou de conseguir dormir. Pela calada da noite, enquanto o marido e o filho dormem o sono dos justos, ela começa uma segunda vida. E, de um momento para o outro, as noites tornam-se de longe mais interessantes do que os dias... mas também, escusado será dizer, mais perigosas. 




Este foi o primeiro contacto que tive com o escritor, Haruki Murakami. Já sabia que este era um escritor bastante particular, que desencadeava sensações e opiniões positivas e outras mais negativas. Algo como, ou se gosta ou não se vai muito à bola.


Devo confessar que escolhi este livro, para começar, porque era bastante pequenino e estava cheio de ilustrações grandiosas. E não me enganei: as imagens são lindíssimas e prendem-nos a cada página que viramos. No entanto, a história de poucas páginas revela-se muito mais profunda do que aquilo que aparentemente poderia querer fazer parecer.



Da personagem principal pouco nos é revelado. Trata-de se uma mulher de trinta anos, já casada e mãe de um menino, que trabalha como dona de casa. Os dias são passados de forma rotineira: entre fazer o almoço para o marido - que trabalha como médico dentista, num consultório, a dez minutos de casa -, a dar umas braçadas na piscina, depois do almoço; a fazer as compras diárias para a casa e a acompanhar o filho fora da escola. 

Pela descrição da narradora, a mulher de trinta anos da qual nunca saberemos o nome, a vida resumia-se basicamente a essa rotina, "em que cada dia era mais ou menos a repetição exacta da véspera". (p. 20)

Mas algo vem abalar esta vida rotineira, algo tão simples como não conseguir dormir: "Há dezassete dias que não durmo" (p. 5) e esta incapacidade de fechar os olhos e entrar no subconsciente é muito mais do que insónia, explica-nos a protagonista, "Acontece apenas que não consigo dormir (...) Não tenho sono e a minha mente está perfeitamente lúcida" (p. 8). E o mais estranho é que ninguém se apercebe desta mudança.


O dia passa agora a ter as 24 horas disponíveis com actividades extra. E o que é que poderíamos fazer se tivéssemos tanto tempo livre para nós mesmos? Ler, pois claro! E é isso que esta senhora faz, vai à estante e começa a reler uma das suas obras preferidas: Anna Karenina, "virava as páginas do livro, absorta na leitura, sem pensar em mais nada" (p. 36), coisa que já não fazia há algum tempo.


Outras novidades são igualmente introduzidas no seu quotidiano: começa a acompanhar a leitura com algum conhaque e chocolate - em casa nunca tinham bolachas ou chocolate, já que o marido não gostava que ela "coma doces e é coisa que quase não dou a provar ao meu filho. Por hábito, em casa não temos bolos nem bolachas nem nada do género guardado na despensa" (p. 43) e a realizar alguns passeios nocturnos, no seu Civic. 



No meio de tanta rotina, assistimos a várias considerações da personagem relativamente à sua vida, ao seu marido e ao próprio filho, momentos de reflexão e de, julgo eu, uma constante descoberta sobre o eu e a vida.


Gostei muito deste livro, tenho de confessar. Gostei da forma como me fez pensar e divagar. No entanto, o final foi um pouco diferente daquilo que esperava e, depois de uma história tão "abstracta" e misteriosa, contava com um desfecho mais preciso, que me orientasse um pouco mais nas minhas próprias conclusões e, na verdade, não foi isso que aconteceu. Senti que me faltava um fio condutor. Fiquei com mais perguntas do que respostas... o que acontece a esta mulher? Fica presa naquela eternidade? Morre? Desperta de um sono profundo? Fico sem saber...
















Aconselho a leitura, no entanto. Murakami tem uma escrita lindíssima, fluída e simples. Talvez a vossa leitura possa aportar alguma ideia nova a estas minhas considerações... "Desisto. Nunca serei capaz de encontrar a chave" (p. 85).